As fortes chuvas de verão estão lavando as estradas de terra de Peirópolis, mas não conseguiram apagar o que sobrou na pedreira desativada. Três estudantes universitários foram acampar escondidos no fim de semana passado perto das escavações antigas. Eles voltaram para a cidade a pé, em estado de choque, cobertos de lama e com arranhões pelos braços. Um deles é sobrinho de um cara da nossa equipe. Fomos até lá verificar o local assim que a chuva deu uma trégua.
O acampamento foi completamente obliterado. As barracas de lona grossa estavam rasgadas em tiras minúsculas, espalhadas por um raio de cinquenta metros. O jipe deles teve as portas arrancadas das dobradiças e os pneus estourados por garras espessas. Cravadas direto na rocha de calcário, a três metros de altura, havia marcas de cortes paralelos tão fundos que tiraram faísca da pedra.
O chão de lama ao redor da fogueira destruída estava forrado de pegadas de um canídeo bípede colossal. Uma pata que tem o dobro do tamanho de uma mão humana espalmada. O cheiro de almíscar e pelo molhado impregnava o ar mesmo depois de dias de tempestade. Os Alfas gigantes que habitam aquele mato estão definindo o território deles com violência extrema. Qualquer um que cruzar a linha invisível daquelas cavernas vai ser fatiado vivo. O número deles está crescendo.